sexta-feira, 28 de março de 2008

O Mercador de Pulgas - 1º Capítulo

O Tayson era o vira-lata da família. Ele era pulguento, vagabundo e barulhento. Não tinha um único dia em que ele não aprontava. Os cantos do sofá já estavam amarelos de tanto que ele mijava lá. Isso sem falar no tapete, que vez por outra levava uma cagadinha básica. A revolta era maior ainda quando ninguém o levava passear.
Em um dia chuvoso e frio, onde nem as rãs ousavam coaxar, o Tayson ficou sem seu passeio matinal. O vira-lata enlouqueceu. Não admitia uma coisa daquelas! A Beth, a dona dele, ainda tentou por panos quentes na situação:
- Tayson, não fica assim, querido. Não dá pra passear, tá chovendo muito. Amanhã tu vai – disse ela.
Ele só olhou com um olhar raivoso, sem dizer nada. Aliás, era essa outra característica marcante do Tayson: ele nunca falava. No máximo um ‘au,au,au’ ou um ‘grrrr’. Ele se sentia tão superior aos demais que jamais manteve uma conversa com outro ser, nem mesmo com os de sua espécie. Imagine então a expressão dele enquanto ouvia o discurso de sua dona sobre os motivos dele não poder passear. Uma chuvinha de nada não era desculpa. Ela ia ver do que ele era capaz, pensava, o Tayson. Se eles achavam que ele era só um cachorro, fedido e sem importância, estavam muito enganados. Em sua cabeça, planejou a vingança.
Quando a Beth fosse para o andar de cima, invadiria a sala e quebraria o enfeite favorito dela: uma estátua de um faraó cortando as unhas das patas de uma gazela. Ah, e também teria o cocô, lógico. Estava necessitando defecar, já que ninguém teve a dignidade de levá-lo passear. Era só a questão dela subir e colocar em ação o plano. Não deu 10 minutos e a Beth subiu para arrumar as camas.
O Tayson esperou um pouco, para ver se ela não tinha ido apenas buscar algo, e entrou, na ponta dos pés, no território inimigo. Na entrada já ergueu a perna para marcar presença. O intestino também pediu atenção. O Tayson depositou uma merda daquelas bem moles no meio do tapete de origem egípcio da sala de sua dona. A arte já tinha sido grande, mas não era o suficiente. Sempre que chovia ou alguém tinha coisas mais importantes para fazer, ele ficava sem passear. O Tayson já estava cansado. Anos e anos sendo deixado em segundo plano. E ainda apanhava quando enchia muito o saco. Não, não podia mais ser assim. A partir daquele momento, seria ‘olho por olho, dente por dente’, pensou. O guaipeca ergueu a cabeça e viu o seu alvo. Era uma estátua um tanto altiva. O rei egípcio devia ser o Tutâncamon. Mas isso não interessava para o Tayson. A vingança era a única coisa que ele imaginava. Observou mais um pouco antes de decidir a tática que adotaria. Calmamente se aproximou do objeto. Ergueu-se até a altura da toalha que ficava abaixo do faraó e apoiou -se nas duas patas traseiras. Com o canino direito, puxou o tecido. O faraó e a gazela se espatifaram no chão. O Tayson acabara de quebrar o enfeite preferido de sua dona. E, todo vira-lata sabe, é um dos princípios da escola de vira-latas pulguentos: jamais quebre o enfeite favorito de sua dona. O Tayson, realmente, estava em maus lençóis. Enquanto procurava um lugar para se esconder na expectativa de não receber uma bela de uma surra, ele ouviu um berro lá de cima:
- Tayson, eu já to descendo, seu safado. Se esse barulho era minha estátua, tu tá ferrado.

Em um, dois ou no máximo três dias, será postado o segundo capítulo do folhetim que mostra a trajetória do maior contrabandista de pulgas do sul da cidade. Aguardem!

5 comentários:

francis disse...

Ta ai dani?

Anônimo disse...

A Bola Bem Batida De ANtes Bateu Antes Ainda Entrou SUST

Anônimo disse...

blz

Anônimo disse...

meu adobe parou de funcionar que merda

Anônimo disse...

Bandeira De Cor Azul Amarelada De Amianto Antes Com Digitos