Ao abrir os olhos, o Seqüelado não entendeu mais nada. A última lembrança que tinha antes de adormecer era de estar jogado na rua, completamente abandonado por seus amigos. Não recordava ao certo quanto tempo ficara lá, só sabia que parecia ter sido uma eternidade. O que estaria acontecendo agora? Essa era a grande dúvida. Estava deitado, num quarto que jamais vira na vida. Resolveu sair para ver se descobria algo. A mesa estava posta, mas o apartamento, vazio. Achou melhor voltar para a cama, a ressaca da noite anterior ainda não havia passado.
Ao deitar, o Seqüelado ouviu um ruído. Alguém abrira a porta. Fingiu estar dormindo a fim de entender o que estava acontecendo.
- Já acordou, amor? – chamava uma suave voz lá do outro lado da moradia.
O Seqüelado nada respondeu. Ficou imaginando quem poderia ser. Amor? Quem poderia lhe chamar de amor? A única vez que sentira algo que julgara ser amor, havia sido apunhalado pelas costas no momento em que a relação parecera ter chegado ao seu ápice. Desde aquele instante, no entanto, desistiu de enfrentar qualquer coisa que pudesse virar um amor.
- As mulheres não valem nada, são tudo umas vagabundas... – dizia, para quem quisesse ouvir.
Mas o discurso era só da boca para fora. Por dentro, um sentimento de vazio remoia seu coração. Nenhuma garota que conheceu conseguira ocupar o lugar deixado vago, após aquela noite, em que tinha apenas 16 anos. Ninguém jamais entendeu o Seqüelado. As razões dele jamais investir a sério em outra mulher. Mesmo alvo de constantes piadas de seus amigos, continuou com suas convicções próprias. Agora, essa história aí, alguém chamando ele de amor...Quem poderia ser?!
- Abre os olhos... – sussurrou, a mesma suave voz que ouvira antes.
E o Seqüelado obedeceu, como um puddle que segue sua dona onde ela for.
- Carol...Você?!...Mas, como?
- Eu te vi lá na rave. Queria falar com você... Mas quando ia me aproximar, uma loira começou a te bater. Depois que você foi expulso da festa, resolvi te seguir... Fui até aquela boate suja, fiquei lá fora, te esperando... Mas acabei pegando no sono...
O Seqüelado tava encantado. Aquele rosto, tão perto, depois de todo esse tempo. Os sentimentos refloresciam como num conto de fadas.
- Quando acordei – continuou a Carol – a boate já estava fechada. Decidi voltar para casa. Mas, no caminho, te encontrei, jogado na sarjeta... Te trouxe para cá, Matheusinho... – terminou ela, toda carinhosa...
Uma lágrima escorreu dos olhos do Seqüelado.
- Por quê? Aquela noite... – disse ele, meio gago.
- Não, aquela noite não, Matheusinho. Foi a pior da minha vida. Eu te amava, te amava muito. Só eu sei o quanto foi difícil te deixar. Mas, tinha que deixar aquela cidade. A situação do meu irmão era insustentável. Você sabe dos problemas dele. A gente aceita, né?! Mas sabe como são as pessoas, seria uma vergonha para minha família...
- É, eu sei. Foi difícil para mim aceitar tudo isso. Nunca consegui te esquecer. Ainda mais há dois meses atrás, quando vi teu irmão na Boca de Ouro. Achei que você pudesse estar de volta. Ele tava cercado por um monte de bêbados fedorentos, que queriam...queriam você sabe o quê...Me meti numa encrenca, mas consegui falar com ele, ou ela...sei lá... Por quê Angélica?
- Sei lá, sabe como é meu maninho...
- Tá, mas deixa assim. Eu perguntei pra ele se você tava de volta. Mas ele não me respondeu, tava chapado. Queria dinheiro para falar. Mas eu não tinha... Jurou que ia me matar caso eu voltasse lá.
- Ah, então foi por isso que deu confusão ontem...
- Não, nada a ver, foi coisa dos meus amigos... Eu tava com medo de ir para lá, mas fui obrigado. Os piá me arrastaram até lá. Ontem teu irmão tava normal, não tinha cheirado nada. Quando a Angélica ia me contar sobre você, uma garrafa de cerveja atingiu a cabeça dele e fechou o pau...Só voltei a consciência agora, aqui no teu apê, Carolzinha...
- Ai, não me chama assim, Matheusinho. Tu sabe que eu não resisto...
- Não resiste ao quê, Carolzinha?!
- A nós dois, Matheusinho...
E, naquele instante, naquele quarto, o Seqüelado encontrou o amor que pensara ter perdido. O amor de uma mulher. O amor de uma mulher, vestida de mulher...
FIM
Ao deitar, o Seqüelado ouviu um ruído. Alguém abrira a porta. Fingiu estar dormindo a fim de entender o que estava acontecendo.
- Já acordou, amor? – chamava uma suave voz lá do outro lado da moradia.
O Seqüelado nada respondeu. Ficou imaginando quem poderia ser. Amor? Quem poderia lhe chamar de amor? A única vez que sentira algo que julgara ser amor, havia sido apunhalado pelas costas no momento em que a relação parecera ter chegado ao seu ápice. Desde aquele instante, no entanto, desistiu de enfrentar qualquer coisa que pudesse virar um amor.
- As mulheres não valem nada, são tudo umas vagabundas... – dizia, para quem quisesse ouvir.
Mas o discurso era só da boca para fora. Por dentro, um sentimento de vazio remoia seu coração. Nenhuma garota que conheceu conseguira ocupar o lugar deixado vago, após aquela noite, em que tinha apenas 16 anos. Ninguém jamais entendeu o Seqüelado. As razões dele jamais investir a sério em outra mulher. Mesmo alvo de constantes piadas de seus amigos, continuou com suas convicções próprias. Agora, essa história aí, alguém chamando ele de amor...Quem poderia ser?!
- Abre os olhos... – sussurrou, a mesma suave voz que ouvira antes.
E o Seqüelado obedeceu, como um puddle que segue sua dona onde ela for.
- Carol...Você?!...Mas, como?
- Eu te vi lá na rave. Queria falar com você... Mas quando ia me aproximar, uma loira começou a te bater. Depois que você foi expulso da festa, resolvi te seguir... Fui até aquela boate suja, fiquei lá fora, te esperando... Mas acabei pegando no sono...
O Seqüelado tava encantado. Aquele rosto, tão perto, depois de todo esse tempo. Os sentimentos refloresciam como num conto de fadas.
- Quando acordei – continuou a Carol – a boate já estava fechada. Decidi voltar para casa. Mas, no caminho, te encontrei, jogado na sarjeta... Te trouxe para cá, Matheusinho... – terminou ela, toda carinhosa...
Uma lágrima escorreu dos olhos do Seqüelado.
- Por quê? Aquela noite... – disse ele, meio gago.
- Não, aquela noite não, Matheusinho. Foi a pior da minha vida. Eu te amava, te amava muito. Só eu sei o quanto foi difícil te deixar. Mas, tinha que deixar aquela cidade. A situação do meu irmão era insustentável. Você sabe dos problemas dele. A gente aceita, né?! Mas sabe como são as pessoas, seria uma vergonha para minha família...
- É, eu sei. Foi difícil para mim aceitar tudo isso. Nunca consegui te esquecer. Ainda mais há dois meses atrás, quando vi teu irmão na Boca de Ouro. Achei que você pudesse estar de volta. Ele tava cercado por um monte de bêbados fedorentos, que queriam...queriam você sabe o quê...Me meti numa encrenca, mas consegui falar com ele, ou ela...sei lá... Por quê Angélica?
- Sei lá, sabe como é meu maninho...
- Tá, mas deixa assim. Eu perguntei pra ele se você tava de volta. Mas ele não me respondeu, tava chapado. Queria dinheiro para falar. Mas eu não tinha... Jurou que ia me matar caso eu voltasse lá.
- Ah, então foi por isso que deu confusão ontem...
- Não, nada a ver, foi coisa dos meus amigos... Eu tava com medo de ir para lá, mas fui obrigado. Os piá me arrastaram até lá. Ontem teu irmão tava normal, não tinha cheirado nada. Quando a Angélica ia me contar sobre você, uma garrafa de cerveja atingiu a cabeça dele e fechou o pau...Só voltei a consciência agora, aqui no teu apê, Carolzinha...
- Ai, não me chama assim, Matheusinho. Tu sabe que eu não resisto...
- Não resiste ao quê, Carolzinha?!
- A nós dois, Matheusinho...
E, naquele instante, naquele quarto, o Seqüelado encontrou o amor que pensara ter perdido. O amor de uma mulher. O amor de uma mulher, vestida de mulher...
FIM
3 comentários:
Surpreendente!Quem diria hem...
Ah e é Gisele sim.
;*
Muito bem!!!!!!
Que Belo Final. Não podia ter sido menos surpreendente. Tomara que vc tenha mais estória boas, como essa, pra nos contar!!!!
Previsão para outro folhetim?
http://passionico.blogspot.com/
http://aboutgi.blogspot.com/
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