quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

O Seqüelado - 3º Capítulo

Foi uma batalha tirar o Seqüelado de dentro do Voyage 84 quando estacionamos na frente da Boca de Ouro. Ele esperneava, contorcia-se, chutava qualquer um que aparecesse na frente. Parecia uma cabrita com ataque epilético. Não podia suportar a idéia de adentrar aquele estabelecimento. O Seqüelado agarrou-se com todas as forças ao puta-merda daquela carroça. Tivemos que apelar: puxei-o pelas pernas enquanto alguém ameaçava cortar os longos cabelos negros do Seqüelado. Em pouco tempo, rendeu-se. Arrastamos ele até a Boca de Ouro.
Mulheres de índole indecente desfilavam seus corpos semi-nus para os clientes. Tinha para todos os gostos. Morena safada do estilo potranca, loirinha filé-mignon com cara de safada, ruiva desdentada com seios siliconado... Aquilo era um antro da perdição.
Pedimos algumas cervejas. As vadias logo vieram dançar para nós. O Seqüelado, mais tranqüilo, desfrutava o momento. Em pouco tempo já estava mais animado e começou a se soltar.
- Vocês são maravilhosas, maravilhosas... – gritava, extasiado.
Lá do outro lado do salão, avistei uma morena que vinha na direção de nossa mesa. Quando ela chegou perto, vi que não era lá tudo isso, era magrinha, mais feia do que bonita... Mas, para o Seqüelado, já estaria mais do que bom. Resolvi ir negociar os preços com ela. Porém, antes que eu pudesse me aproximar, o Seqüelado já conversava com a morena. Pareciam dois velhos amigos. Cochichavam um no ouvidinho do outro. Parei de beber para prestar mais atenção naquela cena. Observei melhor a puta. Era alta, devia ter mais ou menos um metro e setenta e cinco. Com o salto, ficava maior ainda. As coxas eram finas. A cintura, também.
- Bom, para o Seqüelado já está mais do que bom... – pensei.
O papo continuava rolando entre os dois. Já imaginava que não precisaríamos nem desembolsar grana para conseguir uma mulher para o Seqüelado. Naquela noite, ele se resolveria sozinho. Continuei olhando os dois, quando vi que tinha algo de errado.
Fiquei preocupado, preocupado mesmo. O futuro do Seqüelado estava em jogo. Será que ele não havia percebido? Não, não pode ser. Um pensamento veio à minha cabeça. Será que não era só coincidência os dois conversarem como velhos amigos? Qual o motivo dele não querer vir para a Boca de Ouro? Ele sabia, sabia sim. Tava na cara que o Seqüelado sabia que a morena estaria lá. É por isso que ele se recusava veementemente a entrar. Tá certo que para ele mulher era uma coisa circunstancial.
- Poucas, mas boas! – dizia o Seqüelado, vez por outra.
Mas aquilo, aquilo era demais. Como não perceber um troço daqueles?
O Seqüelado, naquela hora da madrugada, já estava totalmente embriagado. Pobre criatura, vai cair na armadilha, pensei. Decidi agir, ajudar meu amigo a se livrar daquela morena... Falsa morena...

O que a morena tem de errado? O Seqüelado conseguirá se livrar da armadilha?
Em breve, no quarto capítulo do estimulante folhetim... O Seqüelado!!!

Um comentário:

Gigis disse...

A morena era um moreno!!era um traveco!Acertei??

hiihih